Há pouco mais de um ano, o nome “ChatGPT” era quase um código interno de iniciados em tecnologia. Hoje, é sinônimo de inteligência artificial. Entrou no vocabulário cotidiano, virou ferramenta de trabalho e, agora, alcançou um marco significativo: estreou na 60ª posição do ranking global das 100 marcas mais valiosas do mundo em 2025, segundo a Kantar BrandZ, com um valor de US$ 43,5 bilhões, destacando-se como uma das marcas de crescimento mais rápido mundialmente.
Nesses meus mais de 20 anos de carreira, vi muitas marcas serem construídas com cuidado, investimento e tempo. Muito tempo. Anos – às vezes décadas – até consolidar uma proposta de valor, reconhecimento e fidelidade dos clientes. Mas o caso do ChatGPT rompe esse modelo. É uma ascensão meteórica que desafia as certezas que por tanto tempo sustentaram nossas estratégias.

O que explica esse fenômeno?
Certamente a combinação de três fatores poderosos:
Tecnologia disruptiva;
Timing de mercado;
Impacto imediato.
O ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, surgiu quando o mundo precisava reaprender a ser produtivo, criativo e eficiente – e ofereceu isso de forma intuitiva e acessível. Em apenas cinco dias, o ChatGPT atingiu 1 milhão de usuários e 100 milhões em dois meses — um marco nunca antes alcançado por qualquer outro produto digital. Com isso, virou marca. E, mais do que isso, virou símbolo de uma nova era.
Mas há algo ainda mais interessante aqui: o ChatGPT não nasceu com uma estratégia de branding tradicional. A força da marca emergiu do valor percebido pelo público, da recorrência de uso e da sensação de “estar à frente do tempo”.
Com isso, a ferramenta se tornou um fenômeno social e midiático, influenciando significativamente as narrativas sobre inteligência artificial: foi tema de reportagens em grandes jornais, pauta de programas de TV, podcasts e vídeos virais. Seu nome virou sinônimo de IA generativa: assim como se “dá um Google”, muitos hoje “perguntam ao ChatGPT”. É um exemplo claro de como, na era digital, construção de marca acontece tanto de dentro pra fora quanto de fora pra dentro.
E qual o impacto disso na história do marketing?
Como líderes, precisamos refletir sobre o que isso representa. Não só em termos de inovação tecnológica, mas também em relação à forma como construímos significado, geramos conexão e entregamos valor real. Marcas como o ChatGPT nos mostram que propósito, funcionalidade e experiência do usuário não são mais diferenciais, são pré-requisitos.
Ao mesmo tempo, o desafio se mantém: manter relevância, construir confiança, ser transparente. O crescimento meteórico é inspirador, mas também reflete uma mudança na forma como as marcas emergem e se consolidam em um mundo cada vez mais digital e orientado por dados.
No marketing, esse é o chamado da vez: acompanhar o ritmo sem perder a essência. Usar a tecnologia como aliada, mas sem abrir mão da consistência, da escuta ativa e da construção genuína de reputação. O boom do ChatGPT é, ao mesmo tempo, símbolo da era da IA e uma nova forma de criar valor: exponencial, colaborativa e centrada na experiência do cliente.
Agora o que nos resta acompanhar: o crescimento do ChatGPT como marca se manterá sólido nos próximos anos? Qual a sua expectativa?

27 de maio de 2026
Como o ChatGPT se tornou uma potência global
A ascensão do ChatGPT revela uma nova dinâmica de construção de marca na era da inteligência artificial.
Por:
Marcela Rezende
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