Há alguns dias, o Hernane Ferreira Jr. , fundador e CEO da tns , compartilhou, em um post aqui no LinkedIn, o trabalho incrível de rebranding que a The News fez para demonstrar o novo momento da marca. Gostei tanto da forma como esse trabalho foi feito, que resolvi olhar com mais profundidade para o que está por trás desse movimento, e como analisar esse case nos ensina um pouco mais sobre o momento certo de repensar a identidade de uma marca.
Em 2020, The News começou de maneira simples, como uma newsletter com uma proposta clara de explicar o que está acontecendo no mundo de forma direta, leve e rápida.
Numa época onde o volume de informação que consumimos e recebemos nunca foi tão alto, a atenção nunca foi tão disputada, e o formato que eles escolheram conseguiu capturar a atenção de um número cada vez maior de pessoas.
Com esse crescimento, a The News ganhou tração e, em poucos anos, a empresa expandiu para novas frentes, incluindo outras newsletters, podcasts, conteúdos em vídeo e diferentes projetos editoriais, focados em diferentes nichos, cobrindo uma gama de notícias de diferentes temas para diferentes públicos.
Hoje, já são mais de 20 marcas dentro do mesmo ecossistema. E é exatamente nesse tipo de crescimento que começa a surgir um risco que eles souberam contornar de forma brilhante: o GAP da Coerência. Vem comigo para eu te explicar.
O crescimento acelerado da TNS

As newsletters não estão somente em alta, mas, sim, já se consolidaram como um dos principais pontos de contato entre uma marca e os consumidores. Dados da Substack mostram que a plataforma já reúne dezenas de milhões de usuários e mais de 2 milhões de assinaturas pagas. Mais do que um indicador de popularidade, esse número aponta para uma mudança muito relevante:
newsletters deixaram de ser apenas um formato de conteúdo e passaram a se consolidar como um modelo de negócio baseado em recorrência e relação direta com a audiência, sem intermediários e longe dos algoritmos. Na newsletter, é o cliente que escolhe o que quer ler.
A popularidade da The News se dá, em parte, pelo formato de newsletter, mas também pela maneira como traduzem as notícias, sempre com um tom leve, uma curadoria incrível e respeitando o pouco tempo dos leitores.
Mas, como sabemos, as notícias não param, e a expansão era inevitável para poderem cobrir todos os interesses de seus leitores.
Esse movimento de expansão não é incomum em empresas de mídia que encontram um modelo que funciona, mas ele naturalmente aumenta o nível de complexidade da operação e da própria construção de marca.
Esse crescimento, no entanto, traz um efeito colateral importante. À medida que a empresa expande seu portfólio, a clareza da marca começa a ser tensionada. Novos produtos surgem, diferentes propostas convivem sob o mesmo guarda-chuva e, aos poucos, o que antes era simples passa a exigir mais esforço para ser compreendido.
Não é raro, nesse ponto, vermos marcas perderem a nitidez, os produtos se fragmentarem e a comunicação do todo se tornar mais difícil. Não é um problema de crescimento em si, mas da complexidade que ele inevitavelmente traz.
No caso da The News, eles perceberam o que poderia acontecer, e agiram para não correrem o risco de perder a própria essência diante da expansão, abrindo espaço para crescer ainda mais.
O desafio da coerência no crescimento
Esse tipo de complexidade não é apenas operacional. À medida que novas frentes surgem e a estrutura se expande, começa a existir uma distância mais sutil, mas relevante, entre aquilo que a marca originalmente representava, o que ela passa a fazer no dia a dia e como o mercado a percebe. É dessa distância que surge o que chamo de GAP da Coerência entre a marca e sua percepção.
O desafio que a The News enfrentava não estava na proposta inicial, que sempre foi clara, mas na manutenção dessa clareza diante da expansão. Quanto maior o portfólio de uma empresa, maior o risco de desalinhamento entre identidade, operação e percepção em seus produtos.
Como um ouvinte de um dos podcasts faria para reconhecer que ele faz parte de todo um ecossistema de produtos e formatos que levam informação seguindo os mesmos objetivos e valores? Os leitores de uma de suas newsletters, sabiam o que era a The News, ou conheciam apenas aquele produto específico?
Casos como esse mostram que o desafio de uma marca não está apenas em crescer, mas em sustentar a própria coerência ao longo do crescimento.
Quanto mais uma empresa se expande, maior tende a ser a pressão sobre sua clareza de marca e sobre a consistência da experiência que entrega. Na The News, eles tiveram que se perguntar o que muitas marcas em expansão também já precisaram:
Como crescer sem perder coerência entre o todo e as partes?
E a resposta veio no rebranding.
O ponto central desse movimento, para mim, não é apenas a decisão acertada de voltar à essência da marca. Quais são os valores que definem a The News? Quais são os seus princípios? Como expressá-los em todos os seus produtos?
No processo de rebranding que compartilharam, a essência aparece de forma bastante clara: simplicidade, objetividade e uma forma direta de comunicar.
Elementos que sempre estiveram presentes na newsletter que deu origem a tudo. A própria escolha de resgatar símbolos (como a caneca de café sem açúcar) e adaptá-los para essa nova realidade do grupo, criando uma assinatura reconhecível e que se encaixa em todas as suas marcas, reforça essa tentativa de reconexão com a origem sem deixar de enxergar o futuro.

O movimento, portanto, reorganiza a marca.
Cria unidade ao mesmo tempo em que sustenta a diversidade de produtos que passou a existir no seu portfólio. E essa decisão cria um alto nível de coerência e força para a marca.

O grupo, agora, tns, alinhou a essência da marca, a forma como o portfólio está organizado e mostrou de maneira intencional como quer ser reconhecido.
E o melhor de tudo: esse acerto também comporta novos crescimentos.
O que eu defendo é que, quanto menor o Gap da Coerência entre o que uma empresa diz e acredita sobre si e como ela é percebida no mercado, maior o seu valor. A tns já se provou nos últimos anos como negócio, e agora, na minha visão, se apresentam com um nível ainda mais alto de maturidade e, por consequência, valor.
Para quem está construindo uma empresa, esse case deixa uma pergunta bastante relevante:
sua marca está crescendo com coerência ou apenas acumulando novos produtos e iniciativas ao longo do caminho?
Estou curiosa para acompanhar os próximos passos da tns e como essa evolução se consolidará ao longo do tempo.
Parabéns ao time por esse baita case!
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28 de maio de 2026
O que o rebranding da The News ensina sobre coerência
Crescer é importante. Evoluir sem perder coerência é o que fortalece uma marca no longo prazo.
Por:
Marcela Rezende
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