Uma das habilidades mais subestimadas da liderança não é aprender. É desaprender.
Executivos são treinados a vida inteira para ter respostas: media training, mensagens-chave, discurso alinhado. Mas quem chega ao topo carregando todas as respostas às vezes não percebe quando elas param de servir. Por isso, desaprender é uma competência estratégica.
Nos meus mais de 20 anos de mercado, atuei em diversas empresas em diferentes países. A cada transição, uma parte do que eu sabia precisou ser revista para dar lugar ao novo. Aqui aprendi que a experiência só continua sendo um ativo enquanto é revisada, já que o que me tornava forte em um contexto podia ser exatamente o que me atrapalharia no seguinte.
O desafio é que desaprender muitas vezes não acontece naturalmente. A rotina de um líder empurra na direção contrária: decidir rápido, com base no que se sabe. Quase ninguém abre espaço na agenda para questionar as próprias certezas, embora esses momentos de reflexão possam ser muito valiosos.
O que grandes líderes fazem
Um artigo da First Round Review reuniu as perguntas que líderes de empresas como Meta, Netflix, Amazon e HubSpot se fazem regularmente para serem melhores gestores. A proposta é simples: 15 minutos por semana, na agenda, para se fazer perguntas desconfortáveis. Não perguntas para o time, perguntas para si.
Algumas das que mais me provocaram:
"Estou decidindo a partir da segurança ou da urgência?" Toda decisão importante carrega o estado de espírito de quem a toma. Sob pressão de resultado, é fácil confundir urgência com estratégia e reagir no susto. Antes das decisões que pesam, vale a pergunta honesta: esse movimento nasce de clareza ou de urgência?
"Eu estive ocupado ou estive produtivo?". A agenda de um líder é uma máquina de compromissos, cheia de reuniões, decisões e aprovações. No fim da semana, é possível ter se ocupado muito, mas não ter construído nada.
"Quantas vezes fiz perguntas e quantas vezes dei respostas?". Líderes que só entregam respostas criam times dependentes, mas líderes que fazem boas perguntas criam times que pensam. Em um mercado onde o operacional está sendo cada vez mais automatizado, a capacidade de pensamento estratégico é um dos ativos mais valiosos.
"Como eu fui cúmplice em criar as condições que digo não querer?" Essa é a mais dura da lista. Trata-se do time que não traz ideias, da agência que não ousa, do projeto que não dá resultados, e o quanto disso é resposta ao ambiente que você mesmo, enquanto líder, criou.
Um convite a desaprender
Se você lidera um time - de marketing ou de qualquer área -, meu convite é este: bloqueie alguns minutos na agenda esta semana e reflita sobre essas perguntas com honestidade. O objetivo não é ter boas respostas de primeira; é criar o hábito de se questionar.
Carreiras longas se constroem tanto pelo que acumulamos quanto pelo que temos coragem de revisar. A experiência vale muito quando é ponto de partida e custa caro quando vira ponto final.

14 de agosto de 2026
O que um líder precisa desaprender
Quem chega ao topo carregando todas as respostas raramente percebe quando param de servir.
Por:
Marcela Rezende
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